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20 de Agosto de 2026 às 16:53

Paralisação nacional mostra força dos bancários e aumenta pressão sobre os bancos

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Por um acordo com aumento real, melhores condições de trabalho, promoção da saúde e segurança. Esse foi o recado dado por bancárias e bancários aos banqueiros nesta quinta-feira (20), durante a grande paralisação nacional de 24 horas realizada em todo o país.

Em Brasília, antes mesmo do dia amanhecer, a diretoria do Sindicato, em sua sede, se dividiu em grupos para percorrer prédios administrativos e agências bancárias, com exceção do BRB, em todas as regiões do Distrito Federal. Dirigentes participaram dos comitês de esclarecimento, dialogaram com a população e deram apoio aos trabalhadores na paralisação, aprovada em assembleia geral na segunda-feira com cerca de 90% dos votos.

A mobilização é uma resposta à postura dos banqueiros, que, após oito rodadas de negociação, não apresentou nenhuma contraproposta decente à pauta de reivindicações da categoria. Diante da falta de avanços, bancários e bancárias, de bancos públicos e privados, cruzaram os braços para pressionar os banqueiros a apresentarem uma proposta capaz de atender às reivindicações da categoria.

“A paralisação foi um sucesso e mostrou a força da categoria em Brasília. O diálogo dos nossos dirigentes com os bancários foi fundamental para ampliar a adesão e fortalecer o movimento. Seguiremos firmes, mobilizados e preparados para intensificar a luta, porque os banqueiros precisam apresentar uma proposta decente, com aumento real, melhores condições de trabalho, saúde, segurança e respeito aos direitos da categoria”, frisou o presidente do Sindicato e da Fetec-CUT/CM, Rodrigo Britto.

“Hoje é um dia decisivo para a nossa categoria. Após a oitava rodada de negociação com os banqueiros, que não ofereceram nenhuma proposta decente, e no intuito até mesmo de fracionar a categoria, não apresentaram nenhuma proposta. Então, por isso, hoje, nós estamos fazendo a paralisação de 24 horas para pressionar a mesa de negociação”, afirmou Raimundo Dantas, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco.

Para Sandro Oliveira, diretor do Sindicato e bancário do Itaú, não é aceitável que um setor que registra lucros expressivos trate dessa maneira os trabalhadores responsáveis por gerar sua riqueza.

“Hoje é um dia de manifestação pelo país todo, paralisação da categoria bancária. Nós não podemos admitir que esse ramo da economia que lucra tanto não trate seus funcionários, que são os responsáveis por gerar tanto lucro do sistema financeiro e para os bancos, da maneira que estão sendo tratados”, afirmou.

A diretora do Sindicato e bancária do Safra Dagma Souza foi direta ao resumir o motivo da mobilização: “Diante da falta de negociações, estamos parados por 24 horas”.

O diretor da Fetec-CUT/CN e bancário do Santander José Anilton reforçou o recado aos banqueiros e apontou para a possibilidade de ampliação da mobilização, caso necessário. “Se não tiver uma proposta decente, os bancos irão parar por período indeterminado. Isso significa greve, greve!”, afirmou.

A diretora do Sindicato e bancária do Santander Eliza Espindola destacou a disposição da categoria para o diálogo, mas ressaltou a necessidade de intensificar a luta. “A categoria segue firme, disposta a conversar, mas agora a gente entendeu que está na hora de intensificar a luta.”

José Garcia, diretor da Fetec-CUT/CN e bancário do Bradesco, também ressaltou a força do movimento. “Esta é a resposta que os bancários têm para dar para os banqueiros. Estamos paralisando aqui o Bradesco, o Setor Comercial Sul e todas as agências de Brasília hoje, nesse dia, para mostrar que o bancário tem a força. E, se não apresentar uma proposta digna, nós vamos continuar parados.”

Banco do Brasil: forte adesão e cobrança por avanços

No Banco do Brasil, onde também não houve avanços significativos na mesa específica, a adesão à paralisação foi expressiva, tanto nos prédios administrativos quanto nas agências.

Na sede do BB, na 201 Norte, o comitê de esclarecimento chegou cedo para conversar com os empregados que começavam a chegar, por volta das 6h30. O diálogo contribuiu para ampliar a participação dos trabalhadores no movimento.

Para o ex-presidente do Sindicato dos Bancários, Jacy Afonso, funcionário do Banco do Brasil, a greve “é um instrumento muito importante da classe trabalhadora para conquistar suas justas reivindicações”.

A diretora do Sindicato e funcionária do BB há 26 anos Zezé Furtado destacou que a mobilização também é uma resposta à tentativa de dividir a categoria. Segundo ela, os bancos apresentaram uma proposta de reajuste por faixa salarial que buscava fragmentar os trabalhadores, e depois recuaram. “Estamos aqui para mostrar a importância da categoria bancária, que não abre mão de seus direitos”, afirmou.

Na Ditec do Banco do Brasil, o diretor da Fetec-CUT/CN Girolamo Bianco avaliou que o fechamento das unidades demonstra a força do movimento sindical. “O fechamento das agências mostra aos banqueiros que o movimento sindical não está de brincadeira”, afirmou. “Os bancos são uma indústria financeira e querem tirar nossos direitos”, denunciou.

O diretor do Sindicato e aposentado do BB José Wilson também destacou o caráter de advertência da paralisação. “A paralisação de 24 horas é um esquenta para os banqueiros entenderem que a categoria bancária não está de brincadeira.” Segundo ele, o vencimento do acordo coletivo se aproxima e, “se for preciso, faremos uma paralisação efetiva”.

A mobilização também reuniu bancários com décadas de trabalho no Banco do Brasil. Dalvanir Xavier da Penha, funcionária do BB há 38 anos, destacou a importância da paralisação diante do aumento do assédio enfrentado pela categoria. “É preciso lutar pelo que é de direito”, afirmou.

Raimundo Henrique, funcionário há 43 anos do BB, resumiu o sentido da mobilização: “É a luta pela manutenção dos nossos direitos, não há alternativa para a categoria”. Marcel Martinho, também bancário do BB, afirmou que somente a mobilização pode garantir as conquistas da categoria.

Com 42 anos de carreira no banco, José Góes ressaltou que a luta pela melhoria das condições de trabalho é permanente. “A greve tem uma razão, que é a defesa dos direitos da categoria, que cada vez diminui, uma luta contínua que não pode parar. É preciso lutar para melhorar as condições de trabalho”, afirmou.

Para Lucas Cusinato, diretor do Sindicato, a paralisação também expressa a indignação da categoria diante da proposta apresentada pelos bancos. “A greve é muito importante para mostrar a indignação com essa proposta indecente da Fenaban.” Segundo ele, “a greve dos empregados do Banco do Brasil deixa claro que não aceitam a postura da direção da instituição”.

O presidente da Federação dos Trabalhadores do Comércio e Serviço DF, Alberto Santos, também esteve na porta do Banco do Brasil, na 201 Norte, conversando com trabalhadores que prestam serviços no banco. Ele ressaltou o apoio à mobilização e defendeu que não haja retrocesso nos direitos da classe trabalhadora.

“Os banqueiros não respeitam os trabalhadores”, afirmou Santos, destacando ainda a intenção dos banqueiros de dividir os trabalhadores.

O diretor da Fetec-CUT/CN Wescly Queiroz classificou o movimento como “extremamente importante e necessário” e afirmou que “somente assim conquistaremos nossos direitos”. Para o dirigente, “a Fenaban precisa entender a disposição de luta da categoria”.

Já o diretor da Contraf-CUT Jefão Meira destacou a contradição entre os lucros do sistema financeiro e as condições enfrentadas pelos trabalhadores. “Os banqueiros nunca têm prejuízo, conseguem lucros bilionários devido ao trabalho dos empregados e aos altos juros para os clientes”, afirmou.

Segundo ele, mesmo com lucros cada vez maiores, “existe uma enorme defasagem entre clientes e bancários, o que adoece a categoria e prejudica o atendimento”.

Caixa: mobilização forte nas matrizes

Na Caixa, também não houve avanços significativos na mesa específica. A paralisação nacional de 24 horas mobilizou empregadas e empregados dos prédios e das unidades do banco.

Desde as primeiras horas da manhã, dirigentes sindicais estiveram nas entradas das Matrizes I e II para dialogar com os trabalhadores e fortalecer a adesão ao movimento em defesa da valorização profissional, do Saúde Caixa e dos direitos da categoria.

Na Matriz II, a mobilização começou por volta das 6h, com a organização dos pontos de mobilização nos acessos ao edifício e à garagem, onde funciona parte da área de tecnologia da Caixa. A adesão foi considerada expressiva, e o diálogo com os empregados que chegavam ao local contribuiu para ampliar a participação ao longo da manhã.

“A Fenaban já está na oitava rodada de negociação e ainda não apresentou uma proposta realmente decente. Enquanto eles não avançam na mesa, nós avançamos na mobilização. Merecemos um reajuste digno, o atendimento das nossas reivindicações e o fim da precarização da categoria”, afirmou Elis Regina Camelo, secretária-geral do Sindicato.

Maria Gaia, diretora de Relações Institucionais da Fetec-CUT/CN, também destacou a força do movimento e a necessidade de pressionar a Caixa por avanços na negociação.

“A paralisação está muito forte em Brasília. Não podemos aceitar tanto lucro convivendo com o descaso, o adoecimento mental e a tentativa de transferir aos empregados responsabilidades sobre o Saúde Caixa. É hora de se indignar, arregaçar as mangas e se somar a esse movimento”, declarou.

Segundo Josibel Rocha, diretor do Sindicato, a maior parte dos empregados abordados compreendeu a importância da paralisação e aderiu ao movimento. Houve apenas uma intercorrência na garagem, quando uma empregada recusou o diálogo e avançou com o veículo pelo bloqueio, criando risco de acidente. A situação terminou sem maiores consequências.

“Percebemos que os empregados se envolveram na mobilização e estão dispostos à luta para mudar as propostas apresentadas nas negociações, principalmente em relação ao Saúde Caixa. O movimento foi exitoso e demonstra que a categoria está pronta para defender seus direitos”, avaliou Josibel.

Direção da Caixa aciona polícia na Matriz I

Na Matriz I, a mobilização encontrou uma postura diferente por parte da direção da Caixa. A polícia foi acionada para intervir no piquete e permitir a entrada de um grupo reduzido de empregados que decidiu trabalhar durante a paralisação.

A intervenção rompeu o bloqueio organizado pelos dirigentes sindicais, mas não encerrou a atividade. Mesmo após a entrada dos policiais, a presença de empregados no edifício permaneceu reduzida e a mobilização continuou no local.

Antonio Abdan, diretor do Sindicato e empregado lotado na Matriz I, criticou a decisão da direção da Caixa de recorrer à polícia contra uma manifestação pacífica em defesa dos próprios trabalhadores.

“Não é possível chamar a polícia contra quem está aqui lutando pelos empregados, pelo Saúde Caixa e pela manutenção dos direitos. Um grupo fez questão de entrar, mas havia muito pouca gente no prédio. O nosso piquete foi rompido, mas seguimos na luta”, afirmou.

Abdan também criticou a decisão dos empregados que optaram por ingressar no edifício, afastando-se da decisão coletiva da categoria. Para o dirigente, a postura enfraquece uma mobilização que busca preservar direitos que beneficiam todos os trabalhadores, independentemente de terem aderido ou não à paralisação.

A utilização da força policial para permitir o acesso ao prédio foi criticada pelo Sindicato, que defende o respeito ao direito de greve e a busca de soluções por meio do diálogo. Para a entidade, a mobilização desta quinta-feira demonstrou que a categoria está disposta a enfrentar tentativas de intimidação e a pressionar por uma proposta que reconheça sua contribuição para os resultados da Caixa.

O diretor do Sindicato Guilherme Simões também defendeu a greve como instrumento para garantir as reivindicações e atender aos anseios da categoria.

“É preciso reforçar a mobilização. É lamentável a presença ostensiva de policiais para tentar impedir a paralisação legal, que exerce o direito de greve”, denunciou.

Uma nova rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está marcada para segunda-feira (24).

Hip-hop e batalha de rimas encerram dia de paralisação no SBS

Depois de um dia de mobilização nos locais de trabalho, bancárias e bancários se reúnem nesta quinta-feira (20), a partir das 17h, para o ato político-cultural que encerra a programação da paralisação de 24 horas no Distrito Federal.

O Final de Tarde Cultural dos Bancários será realizado no Setor Bancário Sul, entre a Filial I e o Edifício-Sede III do Banco do Brasil. A atividade reunirá música, intervenções artísticas e manifestações em defesa da valorização profissional e dos direitos da categoria.

A programação contará com Thabata Lorena, Dr. Zumba, Luan Almeida e Ediá, artistas do hip-hop do Distrito Federal que participaram do projeto “Quero Falar com Manos e Manas”, realizado pelo Sindicato.

O projeto resultou na produção de quatro videoclipes, que serão exibidos durante o ato. As obras aproximam a produção cultural das periferias das pautas sociais e do cotidiano da classe trabalhadora, utilizando a música como instrumento de expressão, diálogo e mobilização.

O público também acompanhará a discotecagem do DJ Marola e a participação do rapper GOG, uma das principais referências do rap brasiliense. A programação terá ainda a Batalha dos Bancários, disputa de rimas conduzida por Dudu Mano.

Da Redação

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