Operação da PF mira cúpula de diretores e ex-diretores do BRB

Operação da PF mira cúpula de diretores e ex-diretores do BRB Destaque

Operação da PF mira cúpula de diretores e ex-diretores do BRB

Hugo Barreto/Metrópoles
Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Diretores e ex-diretores do BRB foram alvos nesta terça-feira (29) de mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela 10ª Vara da Justiça Federal, dentro da operação que apura esquema de pagamento de propinas em troca de investimentos do banco em projetos como o do extinto Trump Hotel, no Rio de Janeiro, hoje LSH Lifestyle. 

Entre outros nomes envolvidos, consta o do ex-presidente do BRB, Vasco Gonçalves, e também o do diretor de Serviços e Produtos, Marco Aurélio Monteiro, que foram presos na operação. Além deles, também foi preso o diretor Nilban Júnior.

Segundo documentos da operação, ao menos R$ 16,5 milhões em subornos foram pagos a dirigentes do BRB para que eles liberassem recursos de fundos de pensão de estatais e de órgãos públicos, administrados pelo banco, e da própria instituição financeira para os projetos que davam prejuízo e não passavam por análise técnica adequada, entre eles o do hotel.

Além da cúpula do banco, também estão entre os investigados Diogo Cuoco e Adriana Cuoco, respectivamente filho e nora do ator de telenovelas Francisco Cuoco. Eles são suspeitos de lavar dinheiro para o esquema. Outro alvo é Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente na ditadura militar (1979-1985). Também foi expedido mandado de prisão contra ele, que estaria morando no exterior. 

A operação se baseia nas delações premiadas de executivos da Odebrecht, do corretor Lúcio Bolonha Funaro, operador de propinas para o MDB, e do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues. Este último montou, em sociedade com Paulo Renato, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) LSH para captar dinheiro para o hotel.

O esquema teria começado em 2012. A partir de 2015, teria sido reestruturado pelo então chefe do Conselho de Administração do BRB, Ricardo Leal, que havia sido tesoureiro da campanha do recém-eleito governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), e que nomeou parte dos dirigentes do BRB envolvidos na investigação.

Relatório da operação diz que houve pagamentos indevidos para liberar, via BRB, recursos do Instituto de Gestão Previdenciária de Tocantins (Igeprev-TO), do Regime de Previdência Social do município de Santos, do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPERGS) e de fundos próprios do BRB, entre outros.  

O documento sustenta que as propinas eram pagas por meio de entregas de quantias em espécie, não raro com a emissão de notas fiscais frias por empresas que simulavam serviços para justificar as saídas dos recursos das empresas pagantes. Uma delas era a Globomix Servicos de Concretagem, de Diogo Cuoco.

Depois que o hotel ficou pronto, em maio de 2016, Rodrigues vendeu participação de R$ 50 milhões, embora tenha feito investimento pessoal de apenas R$ 800 mil. A investigação diz que, a exemplo dele, os sócios enriqueceram indevidamente. 

BRB precisa de uma assepsia 

Mais uma vez, fruto de gestores que se envolveram com desvios, o BRB hoje está nas páginas policiais de todo o país. Gestores que contavam com o beneplácito de Ricardo Leal, a eminência parda do BRB por indicação do governo Rollemberg.  

“É triste que diretores do banco e coligadas, inclusive o ex-presidente, protagonizem episódios desta natureza. Isto mancha de forma indelével a imagem do BRB, que tem um histórico de serviços prestados à sociedade e precisa por isso mesmo ser fortalecido como banco público”, afirma Daniel Oliveira, diretor do Sindicato. 

O Sindicato cobra apuração rigorosa do caso por parte do GDF, na esfera administrativa e nas instâncias competentes. 

Os fatos são inegavelmente comprometedores. Diante disso, têm surgido indagações de como operações dessa natureza, que envolvem somas vultosas de recursos, passem desapercebidas. 

“Agora, cabe apurar internamente o comportamento dos funcionários envolvidos, cuja ação joga para o senso comum uma suspeição sobre o comportamento do conjunto de empregados. Esta culpa não pode respingar na massa de trabalhadores do banco, que compõem uma força de trabalho preparada, honrada e honesta. Para tanto, a ação do governador do DF e do atual presidente do banco deve ser rápida e precisa, no sentido de extirpar questões desta natureza, que tanto prejudicam a instituição”, diz Raquel Lima, diretora do Sindicato. 

Sindicato vai acompanhar de perto

Diante da gravidade do caso, o Sindicato vai acompanhar de perto a investigação da PF e, ao mesmo tempo, fará interlocução junto à Câmara Legislativa e ao GDF para proteger o BRB e sua imagem.

“O Sindicato já havia cobrado apuração de denúncias sobre o caso antes de a bomba explodir, quando saiu notícia acerca da investigação desse empreendimento e sobre várias questões importantes, porém a diretoria da época ignorou os constantes avisos”, lembra o diretor do Sindicato Ronaldo Lustosa. 

Da Redação com informações do Metrópoles e da Folha de S. Paulo