Venda da folha salarial da Câmara Legislativa para outro banco pode enfraquecer BRB

Venda da folha salarial da Câmara Legislativa para outro banco pode enfraquecer BRB Destaque

Venda da folha salarial da Câmara Legislativa para outro banco pode enfraquecer BRB



Nas últimas semanas, o Banco de Brasília têm passado por situações que põem em risco a solidez financeira da instituição. Como se não bastasse o escândalo de corrupção deflagrado na Operação Circus Maximus, da Polícia Federal, o banco corre o risco de perder a folha salarial da Câmara Legislativa e do TCDF para outra instituição financeira.

De autoria do deputado distrital Robério Negreiros, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (Pelo) tem o objetivo de retirar a conta salário dos funcionários da CLDF do BRB e vender para um outro banco. O projeto já passou da fase de recolhimento de assinaturas e será apresentado ao plenário da Casa nesta terça-feira (12).

O BRB é um banco que tem uma longa lista de serviços prestados para Brasília. Esse banco tem sido importantíssimo para a economia local, o desenvolvimento do esporte na cidade, para o patrocínio da cultura, o atendimento à população e ainda, parte de seu lucro é destinada para o fortalecimento dos cofres do GDF e, portanto, para pagamento da folha de servidores, entre outras políticas voltadas para a sociedade.

“O que causa estranheza são os reiterados projetos que tentam de alguma forma atingir uma instituição sólida e que contribui para o desenvolvimento da cidade e sua economia. Nos últimos anos, os funcionários do banco, tendo o Sindicato dos Bancários à frente e juntos com a população, derrotaram a proposta da deputada Telma Rufino que tinha praticamente o mesmo propósito que o equivocado projeto de Negreiros: a retirada das contas dos servidores do BRB. A Pelo 35/2016 foi derrotada na Comissão de Constituição e Justiça da CLDF por ser considerada inconstitucional”, alerta o diretor do Sindicato, Edson Ivo.

A diretora da Federação dos Bancários do Centro norte (Fetec-CUT/CN) e funcionária do BRB, Cida Sousa, lembra que “a alegação de que alguns servidores tenham a intenção de migrar para outro banco não pode ser utilizada como justificativa para este projeto, pois já existe a portabilidade que permite ao trabalhador receber por outra instituição”.

O secretário geral do Sindicato e funcionário do BRB, Cristiano Severo diz que “se uma das justificativas do projeto de Robério Negreiros é arrecadar dinheiro para o fundo de assistência dos deputados, eles deveriam primeiro implementar o Projeto de Lei 2.151/2018 de uma Câmara mais barata, com cortes de verbas indenizatórias e de gabinete, por exemplo. Deveriam cortar na própria pele”. Severo lembra que se a proposta da Câmara mais barata passar, geraria uma economia de até 75 milhões por ano para a Câmara Legislativa.

Para a deputada distrital Arlete Sampaio (PT), “o BRB, enquanto banco público, de Brasília deve merecer toda atenção para que cresça e continue a contribuir para o desenvolvimento do Distrito Federal. Por isso eu abomino a ideia de transferir a folha de pagamento dos servidores para outra instituição financeira”.

Procurado pelo Sindicato, o deputado distrital Chico Vigilante (PT) destacou que, ainda na gestão de José Roberto Arruda, já se posicionava contra uma tentativa de vender a folha salarial do GDF para outro banco. “Sou radicalmente contra o projeto porque retirar do BRB essas folhas salariais representa uma séria ameaça ao banco. Além do mais, o BRB não é do governo, nem da CLDF, é do povo de Brasília e deve seguir atuando em favor da sociedade”, destaca o deputado.

Segundo o diretor do Sindicato e funcionário do BRB, Ronaldo Lustosa, o projeto irá afetar drasticamente a instituição, pois mudará a movimentação de recursos milionários. “A proposta tem a intenção de acabar com o BRB e é um completo desserviço ao banco e à sociedade brasiliense. Mais uma vez o Sindicato se movimenta, dialogando com os atores políticos, no sentido de mostrar a derrota que esse tipo de projeto representa para o banco”, ressalta Ronaldo.

O Sindicato entrou em contato com o gabinete do deputado Negreiros para explicitar o posicionamento da entidade que é contrário a este projeto, demonstrando a importância do BRB como ferramenta pública de desenvolvimento da cidade.

Da Redação com informações da Rede Brasil Atual