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30 de Julho de 2026 às 22:11

Diante do alto nível de lucratividade dos bancos, movimento sindical cobra aumento real

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O Comando Nacional dos Bancários realizou, nesta quinta-feira (30), a quinta rodada de negociação da Campanha Nacional 2026 com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A reunião foi marcada por dois momentos distintos: a apresentação das reivindicações econômicas da categoria e a devolutiva dos bancos sobre as propostas relacionadas à saúde e às condições de trabalho.

Representando o Sindicato dos Bancários de Brasília, o diretor Antonio Abdan participou da negociação ao lado do presidente da entidade, Rodrigo Britto. Para Abdan, os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações apresentadas, diante dos lucros recordes registrados pelo setor financeiro."Queremos uma correção dos nossos salários e verbas com a inflação mais ganho real. Também defendemos que os valores do vale-alimentação e do vale-refeição sejam corrigidos com base na inflação dos alimentos, e não somente pela inflação oficial, que é menor", afirmou.

Cláusulas econômicas

Entre as principais reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional estão o aumento real dos salários, a valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a recomposição do poder de compra dos vales alimentação e refeição e a atualização dos pisos salariais da categoria.

A Consulta Nacional dos Bancários deste ano confirma que o aumento real continua sendo a principal reivindicação da categoria: 93% dos participantes apontaram esse item como prioridade. Em seguida aparecem o aumento da PLR (63%) e o reajuste dos vales-refeição e alimentação (51%).

Os dados apresentados na mesa reforçam a capacidade financeira dos bancos para atender às demandas dos trabalhadores. Em 2025, os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 124 bilhões. Considerando todo o sistema financeiro, o lucro líquido chegou a R$ 171 bilhões, enquanto o patrimônio líquido do setor alcançou R$ 1,2 trilhão. No período pós-pandemia, a rentabilidade média das instituições financeiras permaneceu 2,3 vezes acima da taxa Selic e três vezes superior à inflação.

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Levantamento do Dieese também demonstra que os vales alimentação e refeição acumulam perdas de poder de compra nos últimos anos. Para que o vale-alimentação recupere o mesmo poder de compra de setembro de 2019, seria necessário um reajuste de aproximadamente 40%.

Além disso, o Comando defendeu a ampliação da participação dos trabalhadores nos lucros. "Os bancos já chegaram a distribuir 14% do lucro aos trabalhadores e hoje distribuem, em média, apenas 5,9%, com exceção do Banco do Brasil e da Caixa. Queremos que valorizem quem é responsável pelos recordes de rentabilidade do setor", pontuou Abdan.

A pauta também inclui a adoção do salário mínimo do Dieese como piso de ingresso na categoria e a criação de um piso específico para os trabalhadores da área de Tecnologia da Informação. "Entendemos que é estratégico que os bancos valorizem os profissionais de TI para que possam mantê-los em seus quadros."

Ao final da discussão sobre as cláusulas econômicas, a Fenaban informou que analisará as reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional antes de formular uma contraproposta.

Retorno sobre a mesa de saúde e condições de trabalho

Na segunda parte da negociação, os bancos apresentaram respostas às reivindicações de saúde e condições de trabalho debatidas anteriormente.

O principal avanço foi a sinalização de que a implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), no que diz respeito aos riscos psicossociais, será discutida conjuntamente com as entidades sindicais nas comissões de organização dos empregados e na mesa única de negociação.

"Dessa devolutiva, entendemos como positiva a possibilidade de discutir, junto com os bancos, a implantação da NR-1, ouvindo a categoria por meio de pesquisas, seminários e rodas de conversa. É no diálogo que vamos construir um ambiente de trabalho saudável para todos nós", avaliou Abdan.

Apesar disso, o dirigente criticou a postura adotada pelos bancos em outros pontos da negociação. A Fenaban voltou a questionar a relação entre adoecimento mental e o modelo de gestão por metas e insistiu em propostas que reduzem direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho. Entre elas, a alteração da Cláusula 29, que trata da complementação salarial dos empregados afastados por motivo de saúde. A proposta patronal reduz o período de proteção para apenas 45 dias e prevê que, após esse prazo, a continuidade do afastamento seja avaliada por médicos contratados pelos próprios bancos.

"Os bancos insistem em retirar direitos. Querem submeter os trabalhadores afastados por adoecimento à validação periódica por profissionais contratados por eles e ainda querem validar os atestados médicos apresentados pelos empregados. Além disso, continuam se recusando a reconhecer que as metas abusivas adoecem os trabalhadores."

O Comando Nacional rejeitou qualquer retirada de direitos e reforçou que a redução dos índices de adoecimento passa pela revisão das metas, da sobrecarga de trabalho, da diminuição dos quadros de pessoal e da organização do trabalho nas instituições financeiras. "Não vamos abrir mão de direitos nem aceitar qualquer proposta que comprometa ainda mais a saúde do trabalhador. Queremos discutir um ambiente de trabalho que não nos adoeça. Não queremos arcar com os ônus de uma política de metas abusivas, da diminuição do quadro de trabalhadores, do fechamento de unidades nem da imposição de trabalhos extenuantes."

Diante da reação da representação dos trabalhadores, a Fenaban recuou da proposta de alteração da Cláusula 29 e informou que apresentará uma nova contraproposta nas próximas rodadas.

Reforço da defesa da mesa única

O encerramento da reunião foi marcado pela defesa da manutenção da mesa única de negociação, considerada pelo Comando Nacional fundamental para preservar e ampliar os direitos da categoria diante das transformações do sistema financeiro.

Próxima negociação

A próxima rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está marcada para terça-feira, 4 de agosto. A expectativa da representação dos trabalhadores é que os bancos apresentem propostas concretas para as cláusulas econômicas e avancem nas discussões sobre saúde e condições de trabalho.

Da Redação com Contraf-CUT

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