Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Distrito Federal e entorno, do Sindicato dos Bancários de Brasília, apresenta Relatório Preliminar

A Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Distrito Federal e entorno, do Sindicato dos Bancários de Brasília (CVN/SBB), apresentou à sociedade seu relatório preliminar, no último dia 28 de novembro, no Teatro dos Bancários. Com aproximadamente 170 páginas, o relatório foi produzido em 8 meses de trabalho.
A mesa contou com as presenças do Presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo, da Advogada e Presidente da Comissão, Lucélia Aguiar, da liderança quilombola e consultora da CVN/SBB, Sandra Braga, do professor e Diretor do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA) da UNB, Rafael Sânzio, do Presidente da Confederação Nacional Quilombola, José Antonio Ventura e da Diretora Executiva do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, Maria Aparecida Bento e do Relator, Mário Theodoro. Na oportunidade também foi lançado o livro Quilombo Mesquita, de autoria de Manoel Neres, consultor da CVN/SBB.
Formada por 19 integrantes, negros/as militantes de movimentos sociais e profissionais de diversas áreas do conhecimento que exercem suas funções voluntariamente, a CVN/SBB foi instalada no dia 30 de março de 2016. Tem com o objetivo geral buscar informações mais detalhadas sobre o período da escravidão e pós-escravidão na região do Distrito Federal e entorno, mediante pesquisas bibliográficas, documentais e entrevistas (história oral). Além de resgatar a verdade da escravidão negra no período pesquisado e investigado, cujo resultado se dará através do relatório final. A Comissão pretende ainda apontar as medidas e providências cabíveis no âmbito político, administrativo, judicial, pátrio e internacional, bem como medidas socioeconômicas e culturais, para preservação dos acervos encontrados e fomentação de políticas públicas para a preservação e o fortalecimento dos quilombos remanescentes da região.
Até o presente momento a CVN/SBB realizou 31 reuniões ordinárias e 4 reuniões extraordinárias.
Segundo a presidente da CVN/SBB, Lucélia Aguiar, o relatório da Comissão não será apenas mais um livro a ser colocado nas estantes das universidades e outras instituições, mas servirá como instrumento de orientação das comunidades, para conhecimento e busca do objetivo principal que é a reparação histórica do povo negro. Todos os culpados pelas mazelas que o povo negro ainda enfrenta, serão denunciados também internacionalmente.
Durante a apresentação do Relatório Preliminar foi apontado um detalhado diagnóstico dos problemas encontrados nas comunidades quilombolas. Além disso, foram apresentadas algumas recomendações sobre a temática da escravidão negra no Distrito Federal e em alguns municípios do Goiás, recomendações essas que serão objeto de discussão com as comunidades quilombolas envolvidas.
Para o Relator da CVN/SBB, Mário Theodoro, o aspecto mais importante na apresentação da versão preliminar do Relatório foi a presença dos quilombolas, que estavam ali não apenas como sujeitos interessados na questão em debate, mas, principalmente, como um grupo de ativistas em torno de uma causa e em busca do resgate da justiça. Essas mulheres e esses homens quilombolas estão gradativamente se constituindo como efetivos atores políticos.
Rozane Nascimento, militante do movimento negro, afirma que gostou da ênfase do trabalho da Comissão, nos negros do campo, nos quilombolas, bem como da presença dos/as moradores/as do Quilombo do Mesquita, sublinhando a crítica desses quilombolas ao processo de construção de Brasília.
A entrega do Relatório Final está prevista para fevereiro do próximo ano.

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