Rollemberg inicia venda do BRB

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Rollemberg inicia venda do BRB



O governador Rodrigo Rollemberg, bem ao estilo sorrateiro, aproveitou o apagar das luzes de 2017 para concretizar seu plano de transferir ações do BRB para o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (Iprev-DF). A medida foi anunciada na manhã desta sexta-feira (22) em ato relâmpago, no Palácio do Buriti.

O anúncio contraria posição da Secretaria de Políticas de Previdência do governo federal, que considerou inadequada a garantia em ações ao Iprev e sugeriu a substituição por outros ativos.

Em razão dessa manifestação do órgão federal, a Câmara Legislativa aprovou projeto de lei substituindo a garantia em ações do BRB por imóveis. O projeto foi vetado pelo governador e agora, com a Câmara em recesso, ele apressou-se em comunicar o repasse das ações, para evitar a derrubada do veto.

A transferência será de 16,47% do controle acionário do BRB. O anúncio foi feito por Rollemberg em companhia da secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Barreiro, do presidente do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, e do presidente do IPREV-DF, Adller Anaximandro. Foram convidados gerentes gerais do banco e órgãos de imprensa.

O diretor do Sindicato Daniel de Oliveira e os dirigentes da Fetec-CUT/CN André Nepomuceno e Cida Sousa compareceram por iniciativa própria, para dialogar com os bancários presentes e registrar a preocupação das entidades em relação à abertura forçada de capital do banco, dado o significativo grau de incerteza que isso projeta para o futuro do BRB como instituição pública.

O GDF atribui valor de aproximadamente R$ 500 milhões aos 16,47% do controle acionário do BRB, transferidos ao Iprev-DF. O governo anunciou ainda o repasse ao instituto de imóveis estimados em R$ 1,2 bilhão. O montante (R$ 1,7 bilhão), cujo lastro é questionável, dada a alta margem de dúvida quanto ao valor real dos imóveis, corresponde ao que foi retirado do Iprev em anos anteriores, para pagar salários do funcionalismo.

Para Daniel de Oliveira, “o primeiro entre os vários problemas dessa medida é que a transferência das ações do BRB não resultará em um único centavo para reforço do capital do banco, o que significa dizer que em nada servirá à ampliação ou à melhoria do atendimento à sociedade”.

Além de não trazer qualquer benefício imediato à população, a diluição do controle acionário abre, na verdade, um horizonte de maior incerteza quanto ao futuro do BRB como banco público. Conforme alerta André Nepomuceno, “não há nada que sustente a ideia de que as ações serão mantidas pelo Iprev por longo tempo, ao contrário, a tendência é que sejam vendidas na primeira oportunidade, seja por necessidade premente de caixa ou simplesmente para aproveitar eventual valorização no mercado”.

Evando Peixoto
Colaboração para o Seeb Brasília