Resultado do BRB merece sérias reflexões

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Resultado do BRB merece sérias reflexões



O BRB divulgou, no último dia 5 de março, o melhor resultado contábil de sua história, um lucro líquido de R$ 260 milhões em 2017, crescimento de 30% sobre o resultado de 2016. Embora o resultado tenha sido comunicado com estardalhaço, e os funcionários tenham recebido uma PLR mais polpuda, uma desagregação do resultado, que permite uma leitura mais aprofundada, revela elementos que devem ser considerados com muito cuidado.

A começar pelo indicador que melhor evidencia a atividade fim de um banco, suas operações de crédito. O BRB apresentou uma retração de 7,8% neste indicador. O mercado como um todo retraiu-se em operações de crédito, porém de uma forma mais suave e com um diferencial: quase todos os bancos que tornaram públicos seus balanços diminuíram operações com PJ (pessoa jurídica), porém cresceram em PF (pessoa física). No caso do BRB, houve retração nas duas, e considerando que a maior fatia do crédito do BRB é PF, isso gera uma preocupação adicional.

Outro elemento que deve ser considerado foi a drástica redução da inadimplência, cujas reversões de PDD agregaram um volume considerável para o resultado do banco. A inadimplência do BRB despencou de 4,3% para 2,8%, colocando o banco em um patamar bastante inferior à média do mercado. É excelente a redução da inadimplência, mas essa queda vertiginosa indica que dificilmente esta performance se repetirá, pois o índice do banco já está dentro de uma inadimplência estrutural. Ou seja, para os próximos exercícios, o resultado advindo da diminuição da inadimplência pode ser muito pequeno, ou até nulo.

Também contribuiu muito para o sistema como um todo, e também para o BRB, o aumento impressionante do resultado da intermediação financeira. Todo o sistema foi beneficiado com a colossal redução da taxa Selic, o que jogou por terra o custo de captação dos bancos, e também do BRB. Por outro lado, o custo do dinheiro para o tomador, embora tenha caído, foi em um patamar bastante inferior ao da Selic. Apenas para exemplificar, a Selic perdeu 54,4% de seu valor em pouco mais de um ano, ao passo que, no mesmo período, para ficar em um único produto, o crédito rotativo (cheque especial), um dos mais populares produtos bancários, caiu em média no sistema apenas 4,8%. Ou seja, o spread continua elevadíssimo, fazendo com que os bancos ganhem mais com menos operações, e, é claro, o BRB também se beneficiou disso. Porém, esse é um evento que pode também não se repetir, reduzindo drasticamente os ganhos com esta rubrica.

Lucro às custas do emprego e de direitos dos funcionários

É importante salientar que o BRB apresentou uma redução de custos de pessoal superior a 4% entre 2016 e 2017. Houve uma redução de funcionários em função de PDV, mas a política interna de não substituição e não pagamento de horas extras também colaboraram com esse resultado, ou seja, o banco incrementou seu lucro utilizando um expediente que maltrata e sobrecarrega seus funcionários.

“Importantíssimo o resultado positivo, que reforça o discurso de defesa do banco. Porém, o mercado certamente observa os indicadores que compõem o balanço, e deve fazer uma leitura que traz sim preocupação. O fato é que o banco, em que pese o seu expressivo desempenho, tem perdido participação no mercado, com esta política excessivamente contracionista. Todo cuidado deve ser tomado, mas banco cresce sustentavelmente é com operações de crédito, o que está faltando sobremaneira ao BRB”, avalia o diretor do Sindicato Daniel de Oliveira.

Da Redação