Plano de demissão da Eletrobras antecipa privatização, alerta FNU

Plano de demissão da Eletrobras antecipa privatização, alerta FNU Destaque

Plano de demissão da Eletrobras antecipa privatização, alerta FNU

Reabertura do plano serve para "intimidar" funcionários a saírem antes de uma eventual privatização. Redução deve precarizar serviços: "maior prejudicado é o consumidor", diz diretor dos urbanitários



A prorrogação até o dia 9 de novembro do Plano de Demissão Consensual (PDC), anunciado pela Eletrobras nesta segunda-feira (29), é uma espécide de "intimidação" aos funcionários para que optem agora pela saída, frente a um possível cenário mais nebuloso no futuro", diz o o diretor da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU-CUT) e do Coletivo Nacional dos Eletricitários, Fernando Pereira.

A alta do desemprego, confirmada nesta terça-feira (30), pela pesquisa do IBGE que apontou um total de 27,3 milhões de pessoas sem emprego no Brasil, desestimula os trabalhadores a se desligarem, na opinião do dirigente que alerta ainda para o problema da qualidade do serviço prestado a população. 

O plano de demissão, que também inclui funcionários da Cepel, Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica – Eletrobras (CGTEE), Chesf, Eletronuclear, Eletronorte, Amazonas GT, Eletrosul e Furnas, contou com a adesão de 733 empregados. O objetivo é atingir 2,4 mil funcionários com mais de dez anos de casa e que, portanto, recebem melhores salários, o que renderia uma economia estimada de cerca de R$ 1 bilhão anual, segundo a Eletrobras.

Segundo Fernando, os trabalhadores com mais de uma década de serviços prestados passaram por longos períodos de treinamento e especialização. A saída desse pessoal mais qualificado, portanto, tende a precarizar o fornecimento de energia aos consumidores domésticos e industriais.

"Na medida em que se substitui esse quadro especializado por pessoas com menos qualificação, que ganham menores salários, a tendência é precarizar a prestação dos serviços. Eles só estão preocupados, infelizmente, com os custos desses trabalhadores, e não com a qualidade."

Ele diz que o serviço prestado até o momento é de "excelência", com raros casos de interrupção no fornecimento de energia. Já com o corte dos funcionários mais experientes, ele prevê o aumento nos casos de desligamento.

"É um sistema que tem uma continuidade, e assim todo mundo é beneficiado, a população é beneficiada e principalmente as indústrias, que consomem muita energia. Quem vai ser o maior prejudicado é o consumidor", afirma o dirigente.

A privatização do sistema, alerta Fernando Pereira, acarretaria ainda no aumento da tarifa de energia para os consumidores. Ele cita distribuidoras de energia recém-privatizadas que reajustaram os preços bem acima da inflação, como a Cemar, distribuidora do Maranhão, que em agosto reajustou a tarifa em 16%, para uma inflação anualizada em 4,5%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.

Apesar da redução de quadro com vistas à privatização, o dirigente afirma que o novo governo não deve conseguir realizar a venda das empresas do sistema Eletrobras, num primeiro momento, tanto por ser uma questão que causa divergências no interior da própria equipe – com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizando pela venda, e o presidente eleito, Jair Bolsonaro, dizendo o contrário –, quanto pela própria resistência dos trabalhadores, que continuarão a lutar pelo fortalecimento do caráter público da Eletrobras e de suas empresas. "Estamos atentos, não podemos baixar a guarda."

Fonte: CUT Nacional