Multinacionais criam autogestão de saúde, enquanto governo brasileiro tenta acabar com modelo

Multinacionais criam autogestão de saúde, enquanto governo brasileiro tenta acabar com modelo Destaque

Multinacionais criam autogestão de saúde, enquanto governo brasileiro tenta acabar com modelo

Amazon, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase decidiram constituir empresa sem fins lucrativos para dar assistência à saúde a um milhão de empregados com qualidade e transparência



Diante dos elevados custos da assistência médica e da necessidade de cuidar da saúde de seus empregados, três grandes multinacionais estrangeiras anunciaram, em janeiro deste ano, a criação de uma companhia sem fins lucrativos para oferecer plano de saúde a cerca de um milhão de empregados. Essa é a estratégia da Amazon, do empreendedor Jeff Bezos, da Berkshire Hathaway, presidida por Warren Buffett, e do JPMorgan Chase, que se juntaram para criar uma autogestão de saúde. Enquanto o mundo dos negócios olha para esse modelo como uma solução a se copiar, o governo brasileiro pretende acabar com os programas de saúde das estatais federais.

Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, disse ao jornal Financial Times que os empregados do banco queriam "transparência, conhecimento e controle" ao administrar seus serviços de saúde. Por aqui, os empregados e aposentados da Caixa lutam para acompanhar a gestão do Saúde Caixa por meio do Conselho de Usuários, mas o banco sonega a maior parte das informações.

O momento para o modelo das autogestões no Brasil é complicado. Se forem implementadas as resoluções nº 22 e 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), do Governo Federal, haverá redução dos investimentos em assistência à saúde das estatais federais e os cerca de 100 programas de autogestão que hoje atendem aproximadamente três milhões de pessoas, se tornarão caros e excludentes para os usuários.

O que pode mudar com as resoluções CGPAR

A limitação do acesso aos aposentados, proibição da adesão de novos empregados, cobranças por faixa etária, períodos de carência e a limitação de investimento das estatais no custeio são determinações que inviabilizam as autogestões. Com o fim da entrada de novos usuários, mais jovens e com baixo índice de utilização dos serviços de saúde, os grupos já existentes ficarão saturados. As pessoas continuarão envelhecendo e usando mais os programas, as estatais investirão cada vez menos e a assistência ficará cada vez mais cara para os trabalhadores. Com isso, muitos acabarão desistindo por não poderem pagar. Enquanto grandes empresas estrangeiras perseguem esse modelo de autogestão, o governo brasileiro tenta asfixiá-lo.

Contribuições das autogestões à saúde do país

Os programas de saúde dos trabalhadores de empresas estatais contribuem para a melhora dos indicadores epidemiológicos do país e impactam positivamente o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Isso se deve ao fato de que esses programas fazem controle preventivo de riscos e doenças, auxiliam no monitoramento de grupos de risco e atuam no tratamento das doenças geradas pela própria atividade laboral exercida dentro das estatais.

Além disso, como são atendidos nas autogestões, pelas quais esses trabalhadores também pagam, a utilização da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) também é significativamente mais baixa nesse grupo, o que favorece a otimização do serviço público.

Denúncia ao Ministério Público

Na quarta-feira passada (26), as entidades representativas dos trabalhadores das estatais federais apresentaram denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra as resoluções CGPAR e seus impactos negativos nas autogestões de saúde. A denúncia foi entregue ao procurador-geral do Trabalho em exercício, Luis Eduardo Guimarães Bojart e será encaminhada à Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região.

Juntamente com a Fenae, subscrevem a denúncia a Contraf/CUT, Fenacef, Fenag, Advocef, Aneac, Social Caixa, Anacef, FUP, FNP, Anabb, Sindicato dos Bancários de Brasília, AFBndes, UnidasPrev, Findect, Fentect, CNU, FNU, Sindicato dos Urbanitários do DF, FURCEN, Sindefurnas, Sinpaf e SENGE. As entidades representam cerca de três milhões de trabalhadores, entre bancários, petroleiros, carteiros, eletricitários, entre outras categorias.

Fonte: Fenae