'Moreira Franco mente descaradamente sobre privatização', diz dirigente

'Moreira Franco mente descaradamente sobre privatização', diz dirigente Destaque

'Moreira Franco mente descaradamente sobre privatização', diz dirigente

Trabalhadores do setor de energia promovem o Dia Nacional se Luta contra a Privatização do Sistema Eletrobras na segunda-feira, enquanto ministro das Minas e Energia diz que, se não privatizar, país vai sofrer

Nesta segunda-feira (16), os eletricitários promovem o Dia Nacional de Luta contra a Privatização do Sistema Eletrobras. Segundo a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), a paralisação tem o objetivo de “reafirmar a defesa da Eletrobras e suas controladas”. O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que integra a FNU, explica que a suspensão das atividades não interferirá no fornecimento de energia à população.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse que, se o governo não “capitalizar” a Eletrobras, o país pode sofrer apagão. "Não podemos cometer o erro de fazer da ideologia uma ferramenta para punir as pessoas", declarou. A afirmação do ministro se dá no primeiro dia como titular da pasta. Ele deixou a Secretaria-Geral da Presidência e foi um dos dez ministros nomeados esta semana por Michel Temer em sua recente reforma ministerial. “A ideologia para problemas que a aritmética resolve é um desastre”, disse ainda o ministro.

Para o vice-presidente da FNU, Nailor Guimarães Gato, a fala de Moreira Franco embute uma chantagem e usa um raciocínio invertido. “É o inverso do que ele afirma. É com a privatização que você vai ter problemas, inclusive aumento da tarifa para a população”, pontua. “Estados Unidos, Alemanha, Canadá, países centrais, não privatizam o setor elétrico por ser estratégico. O ministro Moreira Franco mente descaradamente. Por isso vamos fazer o Dia Nacional de Luta dia 16.”

A manutenção do setor elétrico sob controle do Estado “não é uma questão ideológica, mas lógica”, diz o dirigente da FNU. “Lógico é o Estado controlar um setor estratégico. Se cair na mão da iniciativa privada, eles vão liberar a água do país para energia produzir energia ou vão desviar para o agronegócio ou ‘privatizar’ os rios?”, questiona Gato.

Ele cita o recente apagão ocorrido no dia 21 de março, sentido em quase todo o Brasil, incluindo as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas que atingiu principalmente Amazonas, Alagoas, Sergipe, Ceará, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Amapá, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Bahia e Tocantins, nas regiões Norte e Nordeste.

Os trabalhadores do Sistema Eletrobras apontam como causa do apagão uma linha de transmissão operada pela empresa chinesa State Grid, no sistema Belo Monte/Furnas. A falha decorreu de testes realizados pela operadora em pleno horário comercial, segundo a FNU.

“O apagão de Belo Monte foi na linha que está na mão da State Grid. Para empresas estatais, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) só libera os testes em comissionamento aos finais de semana e durante a madrugada. Mas, para empresas privadas, libera em qualquer horário, inclusive os de maior consumo”, diz Gato. “Foi o que aconteceu com Belo Monte.”

A State Grid é uma gigante chinesa que, em 2015, arrematou 51% do sistema de transmissão do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, em leilão promovido pela Aneel. Na época, o projeto estava em construção. Essa enorme linha de transmissão de energia entrou em operação comercial em dezembro de 2017.

Em Goiás, após a privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg), a população sofre com constantes cortes de energia. “A cidade de Catalão ficou quase uma semana sem energia elétrica”, diz Nailor. A empresa foi vendida há um ano para a italiana Enel.

A lógica da privatização obedece interesses do capital e do lucro, em detrimento dos interesses da população. “Eles compram um ativo que está instalado, não vão fazer investimento e, aí sim, corremos o risco de apagão, a exemplo do que ocorreu em 2001”, diz o dirigente da FNU, em referência à crise de energia do final do governo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sem contar as geradoras de energia, está “bastante acelerado” o processo de privatização das empresas distribuidoras nos estados do Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima, Alagoas e Piauí.

O processo brasileiro ocorre “na contramão do mundo capitalista”, de acordo com Nailor Gato. Para ficar no exemplo da maior potência capitalista do mundo, nos Estados Unidos o governo detém o comando de mais de 70% de toda a geração de energia e quem controla esse sistema são as Forças Armadas.

Ao vender o sistema de energia hidrelétrica, o governo brasileiro compromete inclusive os recursos hídricos do país, já que a fonte da energia são os rios. No caso de Belo Monte, o rio Xingu.

A privatização da Eletrobras, porém, pode não acontecer este ano, como o governo previa. Isso porque depende do Congresso Nacional, e muitos deputados da base governista estão reticentes em apoiar o processo em ano eleitoral.

Fonte: CUT Nacional