Leilão das ações do Banrisul representa mais uma ameaça aos bancos públicos

Leilão das ações do Banrisul representa mais uma ameaça aos bancos públicos Destaque

Leilão das ações do Banrisul representa mais uma ameaça aos bancos públicos



Numa clara tentativa de desmonte do patrimônio do povo brasileiro, nesta terça-feira (10), de maneira sorrateira que surpreendeu até o mercado, o governador do Rio Grande do Sul, Ivo Sartori, do MDB (partido de Temer), vendeu mais uma parte do Banrisul. Em poucos minutos foram vendidas 26 milhões de ações, gerando apenas R$ 484,9 milhões aos cofres do Estado, valor insuficiente para pagar 1/3 da folha do serviço público do RS.

As ações foram vendidas pelo governo por um preço abaixo do que estava cotada em bolsa. Na segunda-feira (9), as ações estavam sendo ofertadas no leilão do governo a R$ 18 (abaixo do preço de mercado) numa clara demonstração de entrega do patrimônio público, caindo por terra o discurso de necessidade de caixa. 

O pedaço negociado foi de 12,75% do capital social das ações preferenciais e 6,35% do capital total. Com isso, o Estado agora detêm apenas 50,6% do capital do banco.

Futuro do BRB

Essa venda representa mais um elemento de preocupação com relação ao futuro do BRB, um dos cinco bancos estaduais remanescentes da sanha privatista do PSDB e do MDB, que ameaça a manutenção dos bancos públicos nacionais, e os governos estaduais, que também tentam atacar os bancos públicos locais, como é o caso do BRB, no DF, e do Banrisul, no RS.

Mesmo com diversos serviços que impulsionam o crescimento local, as ações do BRB estão sob ataque, assim como o Banrisul. A medida, tanto em Brasília quanto no Rio Grande do Sul, só atende aos interesses dos banqueiros privados, tratando de mais um fator de enfraquecimento das instituições.

Secretário-geral do Sindicato e funcionário do BRB, Cristiano Severo comenta que o Banrisul é um banco rentável e com uma história de prestação de serviços para a população. Para ele, os bancos públicos têm função estratégica e não podem ser tratados como de propriedade de qualquer governo de plantão. “Por isso, nós, do BRB, devemos estar organizados para nos opormos a qualquer decisão de conveniência política que coloque em risco tanto o banco quanto os seus funcionários”, ressalta.

“Importante, nós, funcionários do BRB, ficarmos atentos, pois o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, tem muita afinidade com o MDB de Sartori e Temer, e também já demonstrou inúmeras vezes que não tem apreço pelo banco. Neste ano em que será eleito o novo representante do Executivo local, é um importante momento para o debate sobre quem efetivamente defende o banco público”, alerta André Nepomuceno, secretário de Bancos Públicos da Fetec-CUT/CN e bancário do BRB.

Medida cautelar

A legalidade do resultado da assembleia que aprovou a abertura de capital e o formato que se pretende fazer o IPO da Banrisul Cartões são questionados pelo diretor da Fetrafi/RS, Carlos Augusto Rocha. Na condição de acionista minoritário do banco, ele entrou com medida cautelar na Justiça, com pedido de liminar, para suspender os efeitos da assembleia geral, até que se julgue possíveis erros nesse processo.

O banco pretende fazer o lançamento inicial de ações (IPO) de maneira primária (com aumento de capital) ou secundária (vendendo as ações que já possui). Nessa investida, o Banrisul permanecerá com a totalidade das ações ordinárias (com direito a voto) da subsidiária.

No ano passado, o lucro líquido da subsidiária foi de R$ 222,1 milhões, aumento de 7,7% em relação a 2016. Em dezembro, eram 108,9 mil estabelecimentos credenciados ativos, alta de 3,5% em relação a dezembro de 2016. O BanriCard somou 9 mil clientes conveniados ativos em dezembro passado, número 9,4% superior ao mesmo mês de 2016. Em 2017, a subsidiária teve faturamento de R$ 1,4 bilhão, alta de 3,4% em relação ao ano anterior.

Plebiscito

É importante destacar que o Banrisul não foi totalmente privatizado, porque a Constituição do Rio Grande do Sul determina que a privatização do banco estadual tem de ser aprovada em plebiscito com o eleitorado do Estado. E, como a população já demonstrou inúmeras vezes ter um grande apreço pelo banco, o governador não teve a coragem de propor esse debate público.

Da Redação com Fetrafi/RS