Juíza do Trabalho do RS se manifesta contrária à greve dos magistrados

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Juíza do Trabalho do RS se manifesta contrária à greve dos magistrados



A paralisação nacional que juízes federais fazem em todo o país, nesta quinta-feira (15), pela manutenção do auxílio-moradia, no valor de R$ 4.378, benefício indefensável, em desconexão com a realidade, não conta com o apoio de muitos magistrados. É o caso da juíza do Trabalho do Rio Grande do Sul Valdete Souto Severo, que se posiciona contra a paralisação neste manifesto sensato que o Sindicato divulga abaixo. Confira:

Hoje, eu pararia

Eu pararia para revelar o odioso caráter nocivo da “reforma” trabalhista.
Eu pararia para denunciar o corte orçamentário que asfixiou a Justiça do Trabalho em 2016.
Eu pararia contra declarações que acusam (sem qualquer fundamento) a Justiça do Trabalho de parecer um “tribunal da união soviética” ou contra todos aqueles que propugnam sua extinção.
Eu pararia para denunciar os projetos de lei que pretendem cura gay, escola sem partido, redução da maioridade penal.
Eu pararia em defesa do direito de greve, forma legítima de manifestação democrática, e, portanto, contra a lei “antivandalismo” do prefeito Marchezan, que prevê punição para quem ousar exercer o direito de manifestação em Porto Alegre.
Eu pararia em defesa da independência da magistratura, como condição essencial para a formação de um Estado Democrático, denunciando a gravidade de quaisquer práticas que direta ou indiretamente pretendam ou sirvam para pressionar juízes a votar desse ou daquele modo.
Eu pararia para protestar contra a corrupção, como a que também ocorre quando se atribui natureza indenizatória a verbas nitidamente salariais pagas em acordos judiciais, apenas para que não verse contribuição previdenciária e imposto de renda, denunciando os desvios antidemocráticos de uma suposta luta (seletiva) contra a corrupção, que chega a promover atos que negam garantias constitucionais fundamentais.
Eu pararia para denunciar a forma como a polícia vem tratando grevistas, como o que ocorreu ainda ontem com os professores de São Paulo.
Eu pararia.
Hoje, eu pararia, sobretudo, para denunciar a exceção vivida no Rio de Janeiro, que ontem resultou a morte de Marielle Franco, mulher, negra, militante, executada a sangue frio, poucos dias após haver denunciado truculência policial.
Eu pararia como integrante de uma greve, construída por uma consciência coletiva formada em assembleia da categoria com amplo debate, para que se definissem de forma clara, inclusive, os reais motivos e as reivnidicações precisas do movimento.
Como não há greve deflagrada e a “mobilização” (votada virtualmente em consulta binária) nada disso denuncia, hoje, eu não vou parar.

Valdete Souto Severo
Juíza do Trabalho do Rio Grande do Sul

Da Redação