Gestão da Caixa adoece e mata empregados, aponta ato organizado por sindicatos

Gestão da Caixa adoece e mata empregados, aponta ato organizado por sindicatos Destaque

Gestão da Caixa adoece e mata empregados, aponta ato organizado por sindicatos



Empregados e empregadas de Brasília e Curitiba se reuniram em frente ao edifício Matriz I, nesta quinta-feira (5), para protestar contra a política de adoecimento adotada pela Caixa. O ato, organizado pelos sindicatos de bancários, denunciou o suicídio de cinco empregados de Curitiba e reforçou a importância da saúde mental dos trabalhadores da estatal.

O cenário na Caixa é cada vez mais preocupante, já que a empresa sofre com a redução brutal do quadro de funcionários. A conta não fecha: quanto menor o número de empregados na Caixa, mais sobrecarga de trabalho, mais assédio moral e mais metas.

“É muito triste ver isso acontecendo dentro da Caixa. São pessoas que sempre valorizaram e vestiram a camisa da empresa e, na hora que elas mais precisam, o banco não liga. Se o parente de um colega falece, recebemos informações com data e horário do enterro, por exemplo. Agora, se um colega se suicida, não temos nenhuma notícia”, desabafa Ilva Alves, diretora da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN).

Pelo lucro e para fazer parte do projeto de desmonte das empresas públicas brasileiras, arquitetado por Michel Temer, a Caixa desrespeita a vida profissional e pessoal dos empregados, que têm que lidar, inclusive, com a ameaça do fim do Saúde Caixa.

Para a secretária de Mulheres do Sindicato e integrante do Conselho de Usuários do Saúde Caixa, Helenilda Candido, “além do atendimento precário do nosso plano de saúde, ainda temos que enfrentar a afronta do governo. E os próximos empregados? Como ficarão numa empresa sem ter acesso ao plano?”. Helenilda também participou do programa TV Bancários na TV Comunitária e falou sobre o assunto.

Situação em Curitiba

Nos últimos três anos, cinco empregados da Caixa cometeram suicídio em Curitiba. De 2017 para cá, mais de 300 empregados saíram da empresa por meio dos planos de demissão promovidos pelo banco. O número de pessoas adoecidas e em tratamento psiquiátrico é um alerta do descaso.

Secretário de Comunicação do Sindicato de Curitiba, Genésio Cardoso conta que, na capital paranaense, “a situação está fora de controle, principalmente depois que a Caixa comprou a folha de pagamento dos empregados da prefeitura da cidade. O que já era precário, piorou ainda mais com 50 mil novas contas. Isso tudo sem que nenhum empregado fosse contratado”.

O Sindicato de Curitiba acionou o Ministério Público do Trabalho, que já intimou a Caixa para justificar as tragédias causadas pelo assédio moral.

O que a Caixa diz

Enquanto os trabalhadores realizavam o ato, o diretor responsável pela área de gestão de pessoas chamou o Sindicato para uma reunião, onde se comprometeu a analisar as denúncias de assédio. De acordo com o diretor da Dipes, o banco já conta com programas de qualidade de vida, mas que estuda ampliá-los com outras iniciativas.

Segundo o diretor da Dipes, a Caixa trabalhará para que casos como os ocorridos não se repitam, principalmente em Curitiba.

Joanna Alves
Do Seeb Brasília