Funcef ganha mais com juros do CredPlan que nos títulos de renda fixa

Funcef ganha mais com juros do CredPlan que nos títulos de renda fixa Destaque

Funcef ganha mais com juros do CredPlan que nos títulos de renda fixa

Diretoria do fundo de pensão mantém taxas elevadas na linha de crédito aos participantes e resiste à adoção de regras mais acessíveis



O CredPlan é hoje o terceiro segmento de maior rentabilidade na Funcef. A fundação obtém mais resultado com os juros cobrados dos participantes nos empréstimos do que com títulos públicos, por exemplo. Com rendimento de 11,11% em 2017, o CredPlan só perde para a carteira de renda variável (15,12%) e para os investimentos estruturados, campeões de rentabilidade com 22,14% no ano passado. Abaixo dos empréstimos está a renda fixa, que rendeu apenas 8,91% no último ano e os imóveis, com 6,13%.

Tamanha rentabilidade dos empréstimos se deve às elevadas taxas de juros cobradas dos trabalhadores. Em fevereiro, após campanha realizada pela Fenae, a Funcef fez alterações nas regras do CredPlan e, entre outras medidas, baixou em 1p.p. a taxa de juros na linha variável, na mesma proporção em que já havia reduzido, em janeiro, a meta atuarial dos planos de benefícios. A opção de taxa fixa, por sua vez, tem prazo de até 48 meses, enquanto na linha variável o período pode chegar a 10 anos.

Conforto da renda fixa e juros altos nos empréstimos

Na avaliação da diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, as taxas do CredPlan continuam caras, inclusive a taxa de administração, quando comparada a outros fundos. Petros cobra 0,25%, a Previ cobra 0,1% em um de seus planos e 0,2% no outro, formando uma média de 0,15%. Valia não adota taxa de administração, embora tenha as taxas de juros mais altas. A Funcef, por sua vez, cobra 0,5%.

“Esse tipo de operação em fundos de pensão não existe para dar alta rentabilidade. A diretoria da Funcef foge da renda variável, fica no conforto dos títulos públicos e quer buscar resultados às custas do participante”, questiona Fabiana.

Todos os planos têm margem para ampliar a alocação de recursos no segmento de crédito. A legislação prevê o limite de 15%, no entanto, no REG/Replan Saldado, somente 2,8% dos recursos são destinados a esse segmento, enquanto no Não Saldado, apenas 1,5% dos ativos estão alocados no CredPlan. No REB, a proporção chega a 6% e no Novo Plano, a 6,4%.

Carência para quem paga equacionamento

Em fevereiro, a Fenae protocolou na Funcef ofício com proposta para adoção de carência de 24 meses no CredPlan para aqueles que estão pagando equacionamento. A análise técnica mostra que é viável conceder aos participantes um empréstimo com um prazo especial durante o qual as parcelas seriam compostas apenas pela amortização de juros. Durante a carência o participante pagaria 40% do valor original da parcela, preservando sua margem consignável e evitando sucessivos refinanciamentos.

O CredPlan é um dos principais temas de reclamações na Ouvidoria da Funcef. Cerca de 30% das demandas se referem aos empréstimos, especialmente a processos de renegociação com inadimplentes.

Fonte: Fenae