Em ato, estudantes pressionam o MEC em defesa da UnB e da educação

Em ato, estudantes pressionam o MEC em defesa da UnB e da educação Destaque

Em ato, estudantes pressionam o MEC em defesa da UnB e da educação



Nesta terça-feira (10), estudantes de uma das mais importantes universidades do país, a Universidade de Brasília (UnB), realizaram um ato de protesto contra a política de austeridade fiscal na educação em frente ao Ministério da Educação, na capital federal.

A UnB enfrenta uma grave crise, devido às restrições orçamentárias impostas pelo Ministério da Educação, o que coloca em risco o funcionamento da instituição.

De acordo com a estudante de museologia Amanda Costa, alunos e comunidade acadêmica estão começando a sentir o reflexo dos cortes principalmente depois da aprovação da Emenda Constitucional 95.

“De 2016 para 2017 a UnB teve um corte de mais ou menos 47% no orçamento, foram 80 milhões. Além disso 50% desses recursos serão geridos para o MEC. Ou seja, será metade da metade dos recursos de 2016”, ressaltou Amanda.

Houve uma forte queda nos repasses para a instituição, em 2016, o valor foi de R$ 217 milhões, enquanto em 2018, caiu para R$ 137 milhões. O anúncio sobre o possível fim da universidade aconteceu no início de abril e, diante do déficit no orçamento (R$ 92,3 milhões), a UnB poderá parar de funcionar no mês de agosto.

Além de todos os cortes a UnB também tem um limite de arrecadação, parte dos recursos que a universidade arrecada anualmente acaba voltando para a União. Com os cortes a devolução dessa arrecadação para a União tem sido sofrida.

Amanda relatou ainda as tentativas de contingenciamento por parte da reitoria que tem prejudicado muito os estudantes como a tentativa de aumentar o preço do RU de R$ 2,50 para R$ 6,50; a revisão de contratos das empresas terceirizadas que resultou na demissão de servidores da limpeza e segurança – um problema constante na universidade; e na última semana a demissão mais de mil estagiários da instituição.

Sobre esses contingenciamentos, a presidenta da UNE, Marianna Dias, disse ao Portal Vermelho:

“Quando se tem cortes, os primeiros atingidos são os estudantes. E todas essas medidas geram e resultam na evasão escolar, pois os alunos começam a não ter condições de se manterem nas universidades. Primeiro porque aumenta o valor do restaurante universitário, depois porque demite estagiários que, muitas vezes, são os próprios estudantes da UnB e dependem do salário para dar continuidade aos estudos. Tudo impacta e é duro ver isso em uma universidade que foi pensada para ser um modelo de universidade do Brasil, pensada por Anysio Teixeira e tantos outros pensadores importantes [como Darcy Ribeiro]”.

Para falar desses problemas os estudantes realizaram uma assembleia geral no último dia 29 de março na reitoria, para cobrar um posicionamento da direção da universidade e onde decidiram pressionar o MEC. 

Experiência educadora

A Universidade de Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1962, com a promessa de reinventar a educação superior. Na construção da universidade estão nomes como antropólogo Darcy Ribeiro, o educador Anísio Teixeira e o arquiteto Oscar Niemeyer que transformou as ideias em prédios. Durante três anos consecutivos, a instituição obteve nota máxima no Índice Geral de Cursos do MEC e é destaque na área de pesquisa, sendo reconhecida internacionalmente por cursos como o de relações internacionais.

Com informações da UNE