#EleNão ecoa em todo Brasil e aponta dias melhores

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O cenário caótico iniciado há pouco mais de dois anos, marcado pela manifestação do fascismo, da misoginia, do racismo, do machismo, da homofobia e do desmonte dos direitos da classe trabalhadora, parece ter prazo curto. Nesse sábado (29), mulheres do Distrito Federal e de todo país mostraram que são um dos principais agentes dessa mudança. Milhares delas tomaram as ruas para dizer basta a todos os tipos de preconceito e retrocesso, representados pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

No Distrito Federal, a concentração para o ato teve início às 14h, no gramado da rodoviária do Plano Piloto. Negras, brancas, indígenas, lésbicas, transexuais, jovens, idosas. Segundo a organização do evento, cerca de 60 mil mulheres e homens que vieram da periferia e do centro da cidade determinadas a darem o recado àquele que mundialmente é identificado pela #EleNão, estampada em cartazes, faixas e no corpo das mulheres.

“Esse é um dia histórico. É um dia que mostramos aos fascistas, aos reacionários, que não vamos tolerar o ódio, a opressão, a desigualdade. Nós mulheres somos determinantes nesse processo, e vamos mudar os eixos do Brasil através do nosso voto. Vamos mostrar nas urnas que queremos na presidência do país quem realmente preza pela construção de um país mais justo e igualitário. Nós vamos fazer o Brasil ser feliz de novo”, disse a secretária de Mulheres da CUT Brasília, Sônia Queiroz.

Dona Maria Chaves da Mota, de 78 anos, foi uma das milhares de mulheres presentes no ato do DF contra Bolsonaro. A cearense que mora na Ceilândia desde 1970 e se diz petista de carteirinha, foi com as duas filhas à manifestação. “Dá vontade vomitar quando a gente ouve esse coiso falando”, disse sobre o presidenciável do PSL. Segundo ela, pra mudar o Brasil, “tem que votar em Haddad”.

O ato no DF terminou na Torre de TV, com falações de candidatas à Câmara Federal e Legislativa, ao governo, além de representantes movimentos sociais.

Os protestos contra Bolsonaro foram realizados no DF e em 26 estados. A adesão a uma das maiores manifestações da última década também foi feita por manifestantes de outros países, como Espanha, Austrália, Portugal e Alemanha. Personalidades como a cantora Madonna se somaram ao protesto estampando em uma rede social sua a #EleNão.

Ataque às mulheres

Um dos pronunciamentos mais polêmicos do presidenciável Jair Bolsonaro, inclusive utilizado na atual campanha eleitoral, é quanto à remuneração da mulher comparada a do homem. Para ele, é normal e justo que as mulheres recebam menos que homens, já que engravidam.

Em 2003 Bolsonaro também disse que à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria porque ela não merecia. Além de proferir a atrocidade, ele ainda a empurrou, em frente às câmeras. No dia seguinte, Bolsonaro concedeu entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, onde reafirmou o que havia dito na Câmara. “Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.

No processo ilegal de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro também dedicou seu discurso em Plenário (e para todo o mundo) para o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais temidos da ditadura militar. O coronel em questão estuprou e matou mulheres, e uma de suas práticas era a de inserir ratos em suas vaginas.

Em 2017, durante palestra no Clube Hebraica, Bolsonaro, mais uma vez, mostrou seu ódio contra as mulheres. Dessa vez, usando a própria família. “Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, disse.

Em resposta à artista Preta Gil, em 2011, após questionado sobre o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro disse: “Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”.

Jair Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há quase 30 anos, já passou por nove partidos e, nessas três décadas, só teve dois projetos aprovados. Ele é apoiador de várias propostas contra a classe trabalhadora e os direitos da pessoa humana, como a reforma trabalhista.

Fonte: CUT Brasília