Delegados sindicais tomam posse e garantem empenho na luta em defesa da categoria

Delegados sindicais tomam posse e garantem empenho na luta em defesa da categoria Destaque

Delegados sindicais tomam posse e garantem empenho na luta em defesa da categoria



Cerca de 200 bancários do Banco do Brasil, da Caixa e do BRB tomaram posse como delegados sindicais na sexta-feira, 31 de agosto. A cerimônia, realizada no prédio da Legião da Boa Vontade (LVB), na Asa Sul, contou com palestra da economista Joana Mostafa, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que abordou o tema “Desigualdades e Distribuição de Renda”.

Na abertura do evento, a secretária de Formação do Sindicato, Teresa Cristina, destacou a importância do papel do delegado sindical para a luta dos trabalhadores. “Eles são os tentáculos do Sindicato nos locais de trabalho. São eles que fazem a ponte entre a diretoria e as bancárias e os bancários na base”, pontuou.

A dirigente sindical observou que muitos dos delegados empossados irão participar dos cursos de Organização e Representação Sindical de Base (ORSB), realizados pelo Sindicato nos finais de semana. “É uma formação técnica e política que visa instrumentalizá-los com informações essenciais para o desenvolvimento da atividade sindical no dia a dia. Precisamos de gente com garra e muito bem formada para enfrentar a luta contra os patrões, os banqueiros que lucram muito e não querem dar quase nada para os trabalhadores”, enfatizou Teresa Cristina.

Intermediador das relações

Com mandato de um ano, o delegado sindical tem a missão de estreitar a relação da base com o Sindicato. E foi por isso que José Rodrigues, bancário da Diretoria de Tecnologia (Ditec) do BB, se candidatou. “Para ser um intermediador das relações entre os colegas e o Sindicato, numa tentativa de maior aproximação para fazer um trabalho de apoio melhor junto aos funcionários do banco”, disse ele.

José Maurício, funcionário da Diretoria de Gestão de Pessoas do BB, endossou o colega: “A gente precisa resgatar o pensamento de coletividade, o individualismo não está nos levando para um caminho adequado”.

Já Ulysses Cesar de Novaes, bancário da área de TI da Caixa, observa importante tentar uma maior aproximação entre trabalhadores e Sindicato e esclarecer os bancários "sobre a importância de nossa luta, especialmente nesse momento difícil que estamos vivendo”.

Delegado sindical há seis anos, na agência SAAN do BRB, Rafael Costa comentou que é uma alegria ter o seu mandato renovado e ter a confiança dos colegas de sua agência. “Porque nós sabemos que o Sindicato, a representação da categoria bancária, precisa ser a cada dia ser mais fortalecida. Esse é o nosso objetivo para que todos as nossas reivindicações sejam alcançadas”, assegurou.

“Me interesso em fazer parte da luta sindical porque acredito que, para garantirmos nossos direitos, lutarmos contra essa reforma trabalhista, temos de nos mobilizar. Minha intenção como delegada é conseguir trazer essa mobilização para a base, para meu ambiente de trabalho, fazer as pessoas se sentirem parte da luta trabalhista e com força para combater os assédios dentro do ambiente do trabalho e apoiar a luta nacional dos bancários”, concluiu a empregada da Caixa Leny Vieira Valadão.

Desigualdades sociais

A economista Joana Mostafa destacou que a desigualdade brasileira foi produzida por vários processos históricos – entre eles, a escravidão, as desigualdades de gênero e as desigualdades de classe, trabalho e capital. “Esses três grandes marcadores sociais são os que mais determinam a nossa desigualdade. Até hoje o nosso país está entre os 10 mais desiguais do mundo”.

Ela acrescentou que é necessário revogar a Emenda Constitucional nº 95, também conhecida como a do Teto dos Gastos, que impõe ao Estado uma redução brutal nos seus investimentos sociais. “Pois foram justamente os gastos sociais, aqueles atrelados ao salário mínimo, que produziram uma redução da desigualdade nos últimos anos. Então, essa emenda constitucional torna o caminho de volta quase impossível para reduzirmos a desigualdade”.

Conquista do movimento sindical

A eleição dos delegados sindicais é uma conquista histórica do movimento sindical para representar os funcionários das dependências junto ao Sindicato. Eles participam de reuniões para discussão de problemas nas dependências, trazem ao Sindicato as reivindicações relativas às condições de trabalho, fiscalizam o cumprimento dos contratos coletivos, da legislação trabalhista e previdenciária, recebem e encaminham denúncias e contribuem para a mobilização quando da Campanha Nacional dos Bancários.

Mariluce Fernandes
Do Seeb Brasília