Déficit da Funcef cresceu 73% nos últimos quatro anos

Déficit da Funcef cresceu 73% nos últimos quatro anos Destaque

Déficit da Funcef cresceu 73% nos últimos quatro anos

Investimentos apresentaram pior resultado semestral dos últimos quatro anos. Dirigentes colocam culpa nos caminhoneiros, nos juros dos EUA e nas eleições



A Funcef anunciou nesta quarta-feira (19) os resultados do 1º semestre de 2018. O deficit aumentou R$ 775,4 milhões em comparação com 2017 e chegou a R$ 7,3 bilhões. O valor é 73% maior em relação aos R$ 4,2 bilhões aferidos em junho de 2014. A razão, segundo os dirigentes da Funcef, está na conjuntura, mais especificamente nos impactos causados pela greve dos caminhoneiros, alta dos juros nos EUA e eleições presidenciais.

REB é o único plano que não apresentou deficit na primeira metade do ano, com excedente de R$ 1,7 milhão. Os demais planos permaneceram deficitários. Novo Plano, com R$ 5,1 milhões de deficit apurado no período, Reg/Replan Não Saldado com R$ 18,7 milhões de desequilíbrio e o Saldado com R$ 753,3 milhões de desequilíbrio. É no Saldado que está a quase totalidade do deficit acumulado, R$ 6,3 bilhões. O outro bilhão de distribui entre os outros planos.

Os investimentos alcançaram a rentabilidade de 3,57%, 1,28 ponto porcentual inferior à meta atuarial estabelecida para o período, que é de 4,85%, e 0,47 ponto percentual menor que a valorização obtida no primeiro semestre de 2017. Esse foi o pior semestre desde 2014, quando a rentabilidade foi de 3,91%, como mostra o gráfico abaixo divulgado pela Funcef.

O desempenho repetiu uma tendência comum nos últimos dez anos. À exceção de 2009 e 2017, quando os planos bateram a meta atuarial definida para a primeira metade do ano, desde 2008 a performance dos investimentos da Funcef tem sido inferior à meta atuarial entre os meses de janeiro e junho, independentemente de governos ou conjunturas.

FIPs têm melhor rentabilidade

Os ativos continuam concentrados em renda fixa (60%), seguido por renda variável (28,81%), imóveis (9,4%) e investimentos estruturados, que incluem os FIPs, tão criticados pela diretoria da Funcef e que hoje respondem por apenas 3,3%. Contudo, a maior rentabilidade é justamente a dos estruturados, que renderam 8,85%, enquanto renda fixa alcançou 5,15% e os investimentos de renda variável tiveram resultado negativo de 2%.

Segundo a Funcef, o destaque fica por conta do FIP Barcelona, cuja “expressiva rentabilidade” gerou R$ 91 milhões para os planos da Funcef no primeiro semestre. O total de ativos investidos é de R$ 61,5 bilhões.

E o contencioso?

Os gestores da Fundação não falaram sobre o contencioso, maior fator isolado de desequilíbrio nos planos de benefícios. Contudo, o balancete mostra que o provisionamento aumentou 2,4% no primeiro semestre do ano e chegou a R$ 1,4 bilhão, equivalente 19% do deficit de R$ 7,3 bilhões. Já o contencioso não contabilizado, que só é registrado em notas explicativas e se refere às ações judiciais avaliada como de “perda possível” (com probabilidade de perda estimada em 50%), já chega a R$ 17,1 bilhões e equivale a 12 vezes o valor provisionado, mais que o dobro do deficit acumulado.

Fonte: Fenae