Bancários do Bradesco definem sua pauta de reivindicações

Bancários do Bradesco definem sua pauta de reivindicações Destaque

Bancários do Bradesco definem sua pauta de reivindicações



Representantes dos trabalhadores do Bradesco de todo o país concluíram, na manhã desta sexta-feira 8, os debates para atualização da pauta de reivindicações específicas que será entregue ao banco na segunda-feira 11 de junho.

A Campanha Nacional 2018 terá como palco a difícil conjuntura resultante do golpe que colocou no poder um projeto de governo sem respaldo popular caracterizado pelo desmonte do patrimônio público e que gerou o aumento do desemprego e a retirada de inúmeros direitos trabalhistas e sociais.

Mas para o Bradesco a realidade é diferente. Mesmo durante uma das mais profundas crises econômicas da história do país, o banco obteve o maior resultado da sua história em 2017 e lucrou R$ 19 bilhões, crescimento de 11% em relação a 2016. 

A façanha é explicada pela mudança na forma de atuação do banco, que consiste em cada vez mais diminuir sua carteira de crédito, aumentar preços das tarifas e serviços cobrados dos clientes, reduzir postos de trabalho, fechar agências, além de investir cada vez mais nas plataformas virtuais (internet banking e aplicativo) e em operações de tesouraria, como aplicações em títulos e em ações negociadas na bolsa de valores.

Em 2017, a carteira de crédito do Bradesco apresentou retração de 4,5%, em relação a 2016. A  queda foi concentrada no crédito pessoa jurídica (para empresas). 

Entre 2016 e 2017, o crédito pessoa física apresentou pequeno aumento de 2% com empréstimos nos segmentos crédito consignado (13%), imobiliário (4,3%) e veículos, que oferecem pouco ou nenhum risco para o banco. Já o crédito pessoa jurídica caiu 7,5% no ano passado em todas as linhas, como capital de giro (-12,8%), financiamento à exportação (-5,4%) e imobiliário (-7,8%).

Em 2017, a única receita do banco que cresceu foi a prestação de serviços e tarifas cobradas dos clientes, atingindo R$ 24 bilhões com elevação de 11,4% em 12 meses. A inflação em 2017 foi de apenas 2,95%. Apenas a receita de tarifas e serviços cobrados dos clientes, o Bradesco cobre o total de suas despesas de pessoal e ainda restam R$ 3 bilhões.

A extinção de postos de trabalho também caracterizou o Bradesco em um período no qual cerca de 26 milhões de brasileiros estão desempregados ou vivem de subemprego. 

Em setembro de 2016, o balanço do banco mostrava aumento de 20.498 trabalhadores em função da aquisição do HSBC. Mas desde então já foram fechados 12.329 postos de trabalho. Portanto, 60% do aumento do emprego resultante da aquisição do HSBC já foi extinta pelo Bradesco. 

Além disso, em julho de 2017, o Bradesco lançou o Plano de Desligamento Voluntário Especial (PDVE), no qual aderiram 7,4 mil trabalhadores. O custo do plano foi de R$ 2,3 bilhões, mas o efeito anual estimado é uma redução de custo de R$ 1,5 bi por ano. Ou seja, o banco gastou R$ 2,3 bilhões com o PDVE, mas em um ano e meio já terá coberto essa despesa. 

Somente nos primeiros três meses de 2018 foram eliminados mais 1.215 postos de trabalho.

O Bradesco não está reduzindo apenas postos de trabalho. Das 845 agências obtidas com a aquisição do HSBC, 629 já foram fechadas.

Prejuízos socializados e lucros cada vez maiores e exclusivos  

Mas para os acionistas do banco, os últimos anos foram totalmente diferentes e muito mais favoráveis. Em 2012, o Bradesco distribuiu R$ 3,89 bilhões em dividendos e juros de capital próprio. Uma cifra totalmente livre de impostos graças a uma lei sancionada por Fernando Henrique Cardoso em 1995 (Lei 9.249/95). Em 2017, foram distribuídos R$ 7,02 bilhões. Aumento de mais de 80%.  

Todos esses dados comprovam que o Bradesco contribui cada vez menos para o desenvolvimento econômico e social do país e está completamente imerso na lógica, na qual os ganhos são cada vez mais concentrados e exclusivos entre uma casta de privilegiados, e os prejuízos são socializados entre a imensa maioria da população.

Os bancários vão levar esse debate aos locais de trabalho durante a Campanha Nacional 2018 e exigir do banco mais responsabilidade social por meio da defesa dos empregos, ampliação dos postos de trabalho, garantias das cláusulas do acordo coletivo e mais crédito para o desenvolvimento da economia. O Bradesco pode e deve contribuir mais com o Brasil e com a população brasileira, já que obteve o maior lucro da sua história e distribuiu bilhões em dividendos durante uma das piores crises já vividas pelo país. 

Da Redação com Contraf-CUT