A redução do papel dos bancos públicos atrofia a inclusão social

A redução do papel dos bancos públicos atrofia a inclusão social Destaque

A redução do papel dos bancos públicos atrofia a inclusão social

Para Rita Serrano, representante dos funcionários no Conselho da Caixa, esvaziamento dos bancos públicos afeta o crédito habitacional e a bancarização



A política de redução da concessão de crédito dos bancos públicos, o processo de esvaziamento e a privatização de alguns serviços, como as loterias, devem diminuir a concessão de crédito habitacional, ter impacto sobre fundos sociais e reduzir o avanço da bancarização, piorando os serviços bancários principalmente nas regiões mais carentes. A afirmação é de Rita Serrano, representante dos funcionários no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal.

Com a expansão de crédito entre 2004 e 2014, apenas a Caixa abriu 12 milhões de contas bancárias. Com 20 milhões de brasileiros sem acesso a banco, o avanço do processo é posto em dúvida com a retração atual dos bancos públicos. Nos últimos anos, 55 mil vagas de trabalho nos bancos foram fechadas, sendo que 30 mil foram de bancos públicos.

A Caixa já fechou 30 agências e deverá fechar outras 100, enquanto o Banco do Brasil já fechou 700. “Com o esvaziamento do papel, o atendimento bancário nas regiões mais carentes ficará pior e ele tem uma importância grande dos bancos públicos no atendimento dessa demanda”, disse Rita.

O crédito à habitação, segmento em que a Caixa é a principal líder, com cerca de dois terços dos financiamentos, tem caído e poderá ser reduzido ainda mais. Em 2015, o programa Minha Casa, Minha Vida teve 20 bilhões reais em recursos, em 2016, caiu para 7 bilhões reais. “Ano passado ficou em 2,7 bilhões de reais, e esse segmento tem importância para a construção civil, que é um dos maiores empregadores do Brasil”, destacou.

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Nos últimos dois anos, os bancos públicos ainda têm elevado os juros e tarifas, equalizando suas taxas com as instituições financeiras privadas. Sua participação no crédito total caiu de 56% para 54% ano passado, a primeira queda em dez anos.

“Essa participação deverá cair ainda mais nos próximos anos com esse processo recente de perda da importância desses bancos que estamos vendo”, apontou. Há preocupação ainda com o que poderá ocorrer com a Caixa Econômica Federal.

O governo já tentou mudar o estatuto e transformar a instituição em sociedade anônima, mas o Conselho tem vetado essa tentativa. “O governo dá indicações de que não irá capitalizar a Caixa, o BNDES está descapitalizado, depois de ter devolvido 100 bilhões de reais ao BNDES, o Banco do Brasil tem fechado agências e reduzido o quadro, então vemos que os bancos públicos estão perdendo sua relevância e seu poder de atuação”, destacou.

Outra preocupação é com o processo que o governo está conduzindo para privatizar a Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex). Segundo Rita, metade da arrecadação das loterias no País é voltada para investimentos em fundos sociais, como de apoio à cultura e ao esporte. “Depois que eles começarem com a loteria instantânea, o processo poderá ir para as outras loterias e isso terá impacto sobre esses fundos, que perderão seu papel, enquanto os bolsos das empresas que comprarem os ativos ganharão”, observou.

Fonte: Carta Capital