Sindicato integra campanha Setembro Amarelo em prevenção ao suicídio

Sindicato integra campanha Setembro Amarelo em prevenção ao suicídio Destaque

Sindicato integra campanha Setembro Amarelo em prevenção ao suicídio



Depois do mês de agosto dedicado à conscientização do aleitamento materno, chegou a vez do Setembro Amarelo para chamar a atenção sobre a prevenção ao suicídio. No DF, vários monumentos são iluminados de amarelo em apoio à campanha. Em adesão, o Sindicato também trocou a cor da fachada de sua sede. E as ações preventivas da saúde mental dos bancários continuam em pleno desenvolvimento, através da Clínica do Trabalho.

A secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Mônica Dieb, esclarece que a Clínica do Trabalho é uma ação de atendimento aos bancários que faz parte do Programa de Atenção ao Sofrimento do Bancário. “Trata-se da escuta clínica do sofrimento no trabalho e tem o objetivo de ressignificar este sofrimento”, destaca.

Mônica acrescenta que em julho de 2016 foi lançada a cartilha “Você não está sozinho”, com o objetivo de orientar e possibilitar ao bancário identificar situações de risco que podem levá-lo ao adoecimento.

De acordo com dados da cartilha, entre as questões que mais incomodam os bancários que buscam ajuda junto ao Sindicato estão: falta de reconhecimento no trabalho, sensação de trair a si mesmo, sobrecarga de trabalho, metas abusivas e deterioração das relações socioprofissionais.

Dos sintomas mais citados pelos bancários estão: vontade de desistir de tudo (53,20%), sentimento de que não vale a pena viver (38%) e pensar em morrer (29,10%). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio tem se tornado um problema de saúde pública mundial.

“Essa situação nos preocupa e nos exige uma atenção maior para com a prevenção. Buscar ajuda, mesmo que pareça constrangedor, é de fundamental importância para se diagnosticar o problema e buscar uma solução definitiva. É essencial que a pessoa confie que não está sozinho nesta luta. Esse é o papel do Sindicato”, afirma a secretária de Saúde.

Adoecimento psíquico

Responsável pelo Programa de Atenção ao Sofrimento do Bancário no Sindicato, a psicóloga Fernanda Duarte observa que só recentemente surgiu um espaço para falar mais abertamente sobre o suicídio, prática que vem aumentando entre os trabalhadores e que carrega uma mensagem importante de adoecimento. “Mas vale lembrar que nem sempre essa prática está vinculada a uma doença”, alerta.

E acrescenta: “Temos um registro no Brasil de muitos suicídios na categoria bancária na década de 90, com as mudanças e reestruturações dos bancos. E vemos que não necessariamente ele está vinculado a um transtorno mental. Temos percebido que pessoas sem nenhum quadro clínico, mas que passam por situações degradantes no trabalho, moral ou fisicamente, acabam recorrendo ao suicídio porque não encontram outra saída, ficam sem perspectiva, sem esperanças”.

Para a psicóloga, “a maneira de gerir tem sido um fator muito influente para o adoecimento. Portanto, é importante muita atenção com a forma como as metas são cobradas, com o assédio moral, as piadas que não são piadas e a discriminação dos colegas que, mesmo ameaçados, ficam calados e não se solidarizam com os outros”, recomenda, lembrando que o acolhimento é fundamental. 

  • Clique aqui e confira entrevista com Fernanda Duarte sobre o assunto.

Dados alarmantes

Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos diariamente por suicídio, taxa superior às vítimas da aids e da maioria dos tipos de câncer. “Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas”, alerta a campanha, no site setembroamarelo.org.br.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no planeta. Problema é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Os números foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde na véspera do Dia de Prevenção do Suicídio, lembrado no dia 10 deste mês.

No DF, só no primeiro semestre deste ano, foram registrados 695 tentativas de suicídio, média de quase quatro ocorrências diárias.


Mariluce Fernandes
Do Seeb Brasília 

*Atualização em 14/9, às 19h35