Bancários entregam pauta da Campanha 2018 e cobram manutenção da CCT

PRIMEIRA NEGOCIAÇÃO DIA 28

Bancários entregam pauta da Campanha 2018 e cobram manutenção da CCT Destaque

Bancários entregam pauta da Campanha 2018 e cobram manutenção da CCT

O Comando Nacional dos Bancários entregou à Fenaban nesta quarta-feira 13 de junho, em São Paulo, a pauta de reivindicações da Campanha de 2018 aprovada no último domingo pela 20ª Conferência Nacional da categoria, que prioriza a manutenção de todos os direitos assegurados pela Convenção Coletiva (CCT), aumento real de 5%, proteção ao emprego, melhores condições de saúde e combate ao assédio moral, melhoria da PLR, igualdade de oportunidades e mais segurança, além de defender os bancos públicos e sua função social para o desenvolvimento do Brasil. A primeira rodada de negociação foi marcada para 28 de junho na parte da manhã.

Na sequência, também na sede da Fenaban, o Comando Nacional, do qual a Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) faz parte, entregou às direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal as pautas específicas aprovadas nos dias 7 e 8 de junho pelo 29º Congresso dos Funcionários do BB e pelo 34º Conecef. 


Sindicato na entrega da pauta à Fenaban. À esquerda, o diretor do Sindicato Rafael Zanon e o presidente, Eduardo Araújo

Antes, na parte da manhã, o Comando entregou a pauta específica à direção do BNB, em reunião realizada na sede da Contraf-CUT, em São Paulo.

A pauta específica dos funcionários do Banpará deve ser entregue ainda esta semana e a do Banco da Amazônia será entregue à direção da empresa na próxima semana. Os bancários do Banco de Brasília (BRB) fazem assembleia no dia 19 de junho para aprovar a pauta específica de reivindicações.

“A campanha deste ano acontece em uma conjuntura econômica e política difícil e será a primeira depois da entrada em vigor da reforma trabalhista, que coloca em risco direitos dos bancários assegurados na Convenção Coletiva da categoria. Será fundamental construirmos uma grande mobilização nacional, não apenas para manter os direitos, mas também para avançarmos em novas conquistas. Isso é possível porque os bancos não enfrentam nenhuma crise e continuam batendo recordes de lucro”, afirma Cleiton dos Santos, presidente da Fetec-CUT/CN.


Entrega da pauta de reivindicações específicas à direção do Banco do Brasil

“Reivindicamos que a mesa única de negociação com bancos públicos e privados seja mantida na Fenaban, sem interferência do governo. Queremos também que as negociações específicas com o BB, com a Caixa e com o Banco da Amazônia ocorram simultaneamente à mesa única da Fenaban e os acordos sejam assinados ao mesmo tempo”, defende Eduardo Araújo, presidente do Sindicato de Brasília e integrante do Comando Nacional.

“Temos que fortalecer a campanha nacional na mesa única da Fenaban, com renovação da Convenção Coletiva e dos acordos coletivos específicos dos bancos públicos, que nossos direitos todos sejam renovados e não haja retrocessos. No BB, como os funcionários rejeitaram a proposta do banco para a Cassi, queremos que ele volte à mesa de negociação para discutir uma saída para o plano de saúde”, acrescenta Rafael Zanon, representante da Fetec-CUT/CN na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.


Entrega da pauta dos empregados à direção da Caixa

Apesar da crise, bancos aumentam lucros

Em 2016, após 31 dias de greve, bancários de instituições financeiras públicas e privadas de todo o Brasil conquistaram um acordo de dois anos, vigente até 31 de agosto deste ano. Assim, essa é a primeira campanha da categoria após o golpe que colocou na Presidência da República um governo que tem retirado direitos dos trabalhadores e de toda a sociedade. “Antecipamos toda a preparação da campanha para que a categoria não tenha nenhum prejuízo, diante da mudança na lei trabalhista, do nosso ponto de vista bastante ruim para os trabalhadores”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

Diante disso, a Conferência Nacional da categoria, realizada entre os dias 8 e 10 de junho, definiu cobrar dos bancos a assinatura de um pré-acordo de ultratividade, para que todos os direitos previstos na CCT continuem valendo até a assinatura de um novo acordo. “Queremos garantir que tenhamos um processo negocial tranquilo”, ressaltou Juvandia, uma das coordenadoras do Comando.

“A defesa do emprego, dos salários e dos direitos dos trabalhadores é função intrínseca do papel dos sindicatos, mas nesse momento ainda mais. Foi bastante importante fechar aquele acordo de dois anos, mas de lá para cá foram fechados cerca de 40 mil postos de trabalho nos bancos. O Brasil está vivendo uma fase preocupante. O país não cresce, mas o sistema financeiro tem lucros crescentes. Foram quase 34% nos lucros no ano passado, mais de 20% no primeiro trimestre deste ano. E isso só dos bancos representados nessa mesa (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander).”

Valorização da CCT

Juvandia destacou ainda a importância da organização da categoria bancária. “Na greve dos caminhoneiros vimos o caos que foi não ter quem fizesse essa representação, que falasse pela maioria. E isso tudo porque têm uma forma de contratação de autônomos. Mais uma mostra da importância de lutarmos para que nossa categoria tenha emprego de qualidade, não como PJ, terceirizado, autônomo”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT.

“Já assinamos 26 CCTs e esperamos que assinemos muitas mais. E que essa mesa tenha a sabedoria de fazer a renovação desse acordo via negociação. Este momento nos preocupa porque entendemos que a nossa democracia está fragilizada e isso é muito ruim principalmente para os trabalhadores”, finalizou a dirigente.

“Queremos este ano assinar nossa 27 CCT”, reforçou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, também coordenadora do Comando. “Sabemos que nossa mesa de negociação nunca foi fácil, mas chegamos sempre a um acordo. Somos a única categoria que assina uma CCT nacional para todos os trabalhadores e todas as empresas ao mesmo tempo. Temos uma organização nacional, junto com vocês, que permite fazer toda essa negociação numa única mesa e isso é muito importante”, salientou.

“Queremos assinar um acordo coletivo que valha pra todo mundo, independente do salario. Discutimos muito na nossa conferência, também, a importância de manter a mesa única, com bancos públicos e privados. Assim, valorizamos nossa negociação na qual sempre conseguimos chegar a assinatura da CCT. E isso queremos: garantir todos os direitos para todos. E colocando na sociedade os bilhões de reais que ajudam a movimentar a economia nacional, via aumento real, PLR maior”, completou Ivone Silva.

Para o presidente da Fenaban, Murilo Portugal,  a CCT dos bancários é um marco para o Brasil e toda a América Latina. “Concordo com vocês. Temos um processo de negociação nacional unificada muito amplo. É um processo complexo. E, infelizmente, as coisas que são difíceis de montar são fáceis de destruir. As regras são as mesmas para o Brasil e acho que isso é uma contribuição importante que o setor dá para reduzir a desigualdade que é tão grande no nosso Brasil, como disse a Ivone.”

Bancos e sociedade 

Com o mote Todos por Tudo, os bancários definiram, ainda, a importância que as eleições 2018 terão n a recuperação da democracia e dos direitos dos trabalhadores. “Nossa pauta não é só corporativa. Queremos bancos melhores e o fortalecimento das empresas públicas pelo desenvolvimento do Brasil. Precisamos eleger candidatos que se comprometam com a revogação da ‘reforma’ trabalhista, com o direito à aposentadoria, com o fim da PEC da Morte, com a defesa dos bancos públicos e outras estatais como a Eletrobras e Petrobras”, ressaltou Juvandia.

E os bancários concordam: pesquisa realizada pela Contraf-CUT junto a mais de 35 mil empregados de bancos públicos e privados em todo o Brasil apontou que 73% dos bancários avaliam como péssima a reforma trabalhista (lei 13.467/2017) e 79% responderam que não votarão nos deputados e senadores que aprovaram a nova lei.

De acordo com essa consulta, 60% dos bancários estão dispostos a aderir a uma eventual paralisação, caso as negociações não avancem. 

Fonte: Fetec-CUT/CN, com Contraf-CUT