Fenômeno antigo sempre presente
Embora seja um fenômeno tão antigo quanto o próprio trabalho, somente nos últimos anos, após pesquisas recentes atestarem os efeitos devastadores sobre suas vítimas – acometidas por doenças como depressão, por exemplo, sem falar dos casos mais extremos -, é que o assédio moral se tornou objeto de refl exão e debate, entrando defi nitivamente para a pauta do movimento sindical.
Também conhecido como violência moral no trabalho, o assédio moral se define tecnicamente pela exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho, praticadas na maioria das vezes pelo superior hierárquico (assédio descedente). Entre os bancários, que vivem num ambiente profi ssional extremamente controlado e opressivo, o assédio moral tem sido cada vez mais usado para cobrar a superação de metas de produtividade, muitas vezes apenas para gerar status para o algoz.
A agressão se manifesta por etapas, sendo a primeira delas o isolamento da vítima pelo agressor. Ato contínuo, ela passa a ser hostilizada e desacreditada diante dos pares. O medo do desemprego e da vergonha de virem a ser humilhados, associado ao estímulo constante à competitividade, acaba por subjugá-los.
São exemplos de assédio moral, entre outros: sobrecarregar o funcionário de trabalho; ameaçar constantemente o trabalhador com demissão, transferência, rebaixamento etc; falar aos gritos, de forma a intimidar as pessoas; marcar o número de vezes e contar o tempo que o funcionário (a) vai ao banheiro; submeter a tarefas humilhantes frente aos demais colegas; fazer brincadeiras frequentes e de mau gosto referentes ao sexo, raça, opção sexual ou religiosa, defi ciências físicas, problemas de saúde etc.